O preço da desonestidade presumida

Atualizado: Fev 8

Boa tarde!!

A Educação Financeira tem, também, o objetivo de desenvolver valores bons para uma sociedade mais próspera (porque na direção contrária ela meio que vai sozinha). E desta vez eu vou convidar meus três leitores a refletir sobre os preços que pagamos por sermos desonestos (como sociedade e, vários, como indivíduos mesmo).

Você já teve ter ouvido falar no “tal de cartório”. O cartório é uma instituição mantida por um profissional do Direito selecionado para tal fim. Ignoro detalhes do processo. Porém, esse profissional tem a missão de (acreditar que todo mundo trapaceia) verificar a validade de documentos.

Os dois serviços mais corriqueiros para os quais as pessoas procuram um cartório são: reconhecimento de firma e cópia autenticada de documentos.

O primeiro é para você provar que o documento que você assinou foi você que assinou.

O segundo é para provar que a cópia que você fez é de um documento oficial não falsificado.

Há alguns meses, na cidade de Novo Hamburgo, quarenta quilômetros de Porto Alegre, havia uma empresa que fazia operações com criptomoedas, só que não. Seu nome não revelarei, mas começa com Ind e termina com eal. A proposta era te remunerar a 15% ao mês pela capitalização composta (taxa efetiva, liquidez diária) do capital que você colocasse. Investidores com aportes superiores a R$ 100.000,00 teriam um contrato de garantia do capital. Caso a empresa fechasse e o dono não fosse grampeado pela Polícia Federal, o investidor receberia um bem (um carro, uma casa ou uma noiva russa) no valor equivalente. Para investir, você fazia um depósito na conta jurídica da empresa em um banco desses tradicionais. Para sacar, bastava esperar 30 ou mais dias e solicitar via plataforma seu saque. Se você não esperasse 30 dias, sua correção cairia pela metade.

Maravilhoso, né? Melhor que banco! Então deixa eu te contar que fica ainda melhor: tudo isso está escrito em um documento chamado cartório o qual é registrado em um lugar chamado contrato. Digo, o contrário! 🙂

Bem, você se sente confortável porque seu dinheiro está em um lugar que reconheceu firma e no qual você foi ao cartório levar seu contrato para autenticar. A taxa de R$ 42,00 para provar que vocês são honestos (só você é, eu acho) mais a corrida de Uber e uma horinha perdida não valem nada pois você raciocinou que em poucos dias recupera esse valor.

Bem, como isso atraiu muitos clientes e muitos valores, as movimentações começaram a chamar a atenção desse cara chamado governo através dos seus órgãos (provavelmente a próstata) e “alguéns” foram atrás dessa empresa lá em NH. Não estou mais atualizado sobre o assunto, mas quem tinha dinheiro lá e não sacou a tempo se fudeu tá com tudo bloqueado. A empresa está “batalhando” para poder pagar em bitcoins esse valor.

E há más línguas que dizem que os cartórios foram usados como “vítimas” dessas transações.

Bem, por que estou falando isso? Porque graças a nossa desonestidade coletiva, precisamos pagar para provar que somos honestos. E, como você viu na história, isso não resolve tudo.

Há vários exemplos que envolvem serviços de cartório, mas também há outros empreendimentos que nos protegem de nós mesmos a troco de um custo. Se esse custo não é uma taxa pelo serviço em si, é uma parte dos impostos que não foi desviada pelos políticos conservadores é destinada a esses órgãos.

A tecnologia Blockchain ela, com bastante precisão, presume que somos todos uns fdp, evita que pessoas possam trapacear. O custo para roubar seria elevadíssimo de tal modo que seria mais caro do que o valor do roubo (e as chances de êxito, muito pequenas). Por mais que eu admire e lamba os pés dessa tecnologia, o que faz ela funcionar é exatamente isso: ela consegue presumir com muita precisão, quase 100%, que somos um bando de desonestos. Graças a essa paranoia toda, podemos operar pacificamente com nossos bitcoins e outras criptomoedas.  Ah, que beleza! 🙂

Moral da história: a vida sairia muito mais barata se fôssemos honestos como sociedade.

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